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quinta-feira, 5 de abril de 2012

 A importância do Perdão
"O primeiro grau do perdão está no exercício de olhar para o outro como pessoa. Mesmo que o seu crime e indignidade sejam grandes, perdoar, que é também recuperar, é começar por acreditar que está ali alguém que também é vítima de muita desgraça e que se pode corrigir e encontrar consigo mesmo. Aliás, é ver que no fundo não somos melhores. Aí começa o perdão."
Padre Vasco Pinto Magalhães

domingo, 4 de março de 2012

Todo aquele que habita a solidão sabe que o medo é o oposto da felicidade. O isolamento de quem foge é assustador e pesado. A solidão de quem dá um passo adiante, quando todos os outros ficam quietos, é bela e voa.

Ser original, nos dias que correm, não é tarefa fácil. A normalidade exige e atinge picos de afinação incríveis. Até mesmo os sonhos são como que versões autorizadas de um sistema que oferece muitas opções, mas sempre só em circuito fechado. Sair do habitual é uma ousadia que a multidão condena a priori. Os obedientes contribuem para a perpetuação do estado de coisas, vaiando de todas as formas quem desafia sair do caminho.

Porque eu não sou como os outros, devo preocupar-me quando estiver a parecer-me com eles.

Mas sair da lógica da multidão é desafiar a irracionalidade. A massa é acéfala e rege-se por princípios de estabilidade e força, alimenta-se da renúncia das vontades individuais, num movimento gigante e potente.

Quem quer ser feliz deve ser original, sempre, desejar criar o novo, aceitar agarrar a sua vida em vez de esperar pelo que possam trazer as mãos do mundo. É preciso expor-se totalmente e arriscar tudo, porque só quando se compromete tudo se pode alcançar o raro prémio de que quase todos desistem cedo demais. A felicidade.

Quando se ama verdadeiramente pouco se teme, por isso se fica mais perto do céu.

Os meus braços servem para abraçar e não para me esconder atrás deles. 

O sofrimento da solidão tem sentido absoluto quando o peito está descoberto. Só com os braços bem abertos se ama.


(publicado no jornal i - 3 de março de 2012)


publicado por José Luís Nunes Martins

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Triângulo da Performance
85% do que contribui para o desempenho final de cada indivíduo, vem das suas Aptidões Pessoais ou Talentos e da sua Atitude e apenas 15% derivam do Conhecimento.

Sabemos que 95% do esforço despendido é colocado no Conhecimento e somente 5% nas Aptidões e Atitude.

In "A Engenharia Humana é a solução" António Guimarães, Edições Mahatma

Que enorme oportunidade para corrigirmos esta assimetria, a começar pela Vocação dos nossos Filhos, ao contrário das suas habilitações.

Por isso 80% das pessoas vive vidas tristes e enfadonhas, com péssima auto-estima, atitude medíocre e péssimas escolhas. 








quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação! Estamos construindo super-homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:...

"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser Feliz"!!!